domingo, abril 26, 2009

Dra. Rita Levi-Montalcini




Presidente Honorária da Associação Italiana de Esclerose Múltipla

A Dra. Rita Levi-Montalcini, que tem hoje 98 anos, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina há 21 anos, quando tinha 77!!! Ela nasceu em Turím, Itália, em 1909 e obteve o título de Medicina na especialidade de Neurocirurgia.

Por causa de sua ascendência judia se viu obrigada a deixar a Itália um pouco antes do começo da II Guerra Mundial. Emigrou para os Estados Unidos onde trabalhou no Laboratório Victor Hambueger do Instituto de Zoologia da Universidade de Washington de San Louis.

Em 1951 veio ao Brasil, para realizar experiências de culturas em vidro no Instituo de Biofísica da Universidade do Rio de Janeiro, onde, em dezembro do mesmo ano, a pesquisadora consegue identificar o fator de crescimento das células nervosas (Nerve Growth Factor, conhecido como NGF). Esta descoberta lhe valeu, em 1986, o Premio Nobel para a Medicina, junto com Stanley Cohen.

Entrevista no dia 22/12/2005


- Como vai celebrar seus 100 anos?
- Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações. No que eu estou interessada e gosto é do que faço cada dia.!

- E o que você faz?
- Trabalho para dar uma bolsa de estudos para as meninas africanas para que estudem e prosperem ... elas e seus países. E continuo investigando, continuo pensando.

- Não vai se aposentar?
- Jamais! Aposentar-se é destruir o cérebro!
Muita gente se aposenta e se abandona...E isso
mata seu cérebro. E adoece.


- E como está seu cérebro?

- Igual quando tinha 20 anos! Não noto diferença em ilusões nem em capacidade. Amanhã vôo para um congresso médico.

- Mas terá algum limite genético ?
- Não. Meu cérebro vai ter um século... mas não conhece a senilidade... O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro!

- Como você faz isso?
- Possuímos grande plasticidade neural: ainda quando morrem neurônios, os que restam se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!
- Mantenha seu cérebro com ilusões, ativo, faça com que ele trabalhe e ele nunca se degenerará.
- Viverá melhor os anos que vive, é isso o interessante. A chave é: manter curiosidades, empenho, ter paixões....veja...não me refiro a paixões físicas especificamente...simplesmente tenha paixões.

- A sua foi a investigação cientifica...
- Sim e segue sendo.

- Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso...
- Sim, em 1942: dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, fator do crescimento nervoso), e durante quase meio século houve dúvidas, até que foi reconhecida sua validade e em 1986, me deram o prêmio por isso.

- Como foi que uma garota italiana dos anos vinte converteu-se em neurocientista?
- Desde menina tive o empenho de estudar. Meu pai queria me casar bem, que fosse uma boa esposa, boa mãe... E eu não quis. Fui firme e confessei que queria estudar.

- Seu pai ficou magoado?
- Sim, mas eu não tive uma infância feliz: sentia-me feia, tonta e pouca coisa... Meus irmãos maiores eram muito brilhantes e eu me sentia tão inferior...

- Vejo que isso foi um estímulo...
- Meu estimulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava em África para ajudar com a lepra. Desejava ajudar aos que sofrem, isso era meu grande sonho!

- E você tem feito... com sua ciência.
- E, hoje, ajudando as meninas da África para que estudem. Lutamos contra a enfermidade, a opressão da mulher nos países islâmicos por exemplo, além de outras coisas...

- A religião freia o desenvolvimento cognitivo?
- A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão tentando corrigir essa posição.

- Existem diferencias entre os cérebros do homem e da mulher?
- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. Mas quanto às funções cognitivas, não tem diferença alguma.

- Por que ainda existem poucas cientistas?
- Não é assim! Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, realmente foram feitos por suas irmãs, esposas e filhas.

- É verdade?
- A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje, felizmente, tem mais mulheres que homens na investigação cientifica: as herdeiras de Hipatia!

- A sábia Alexandrina do século IV...
- Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela foi. Claro, o mundo tem melhorado algo...

- Ninguém tem tentado assassinar você...
- Durante o fascismo, Mussolini quis imitar o Hitler na perseguição aos judeus... e tive que me ocultar por um tempo. Mas não deixei de investigar: tinha meu laboratório em meu quarto... E descobri a apoptose, que é a morte programada das células!

- Por que tem uma alta porcentagem de judeus entre cientistas e intelectuais?
- A exclusão estimula entre os judeus os trabalhos intelectivos e intelectuais: podem proibir tudo, mas não que pensem! E é verdade que tem muitos judeus entre os prêmios Nobel...

- Como você explica a loucura nazista?
- Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional por cima do neocortical, o intelectual. Conduziram emoções, não razões!

- Isto está acontecendo agora?
- Porque você acha que em muitas escolas nos Estados Unidos é ensinado o creacionismo e não o evolucionismo?

- A ideologia é emoção, é sem razão?
- A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado: são perfeitos. Nós não. E, ao sermos imperfeitos, temos recorrido à razão, aos valores éticos: discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana!


- Você nunca se casou ou teve filhos?
- Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza que decidi dedicar todo meu tempo, minha vida!

- Lograremos um dia curar o Alzheimer, o Parkinson, a demência senil?
- Curar... O que vamos lograr será frear, atrasar, minimizar todas essas enfermidades.

- Que tem sido o melhor da sua vida?
- Ajudar aos demais.

A Dra. Rita Levi-Montalcini é, desde 2001, Senadora Vitalícia da República Italiana, nomeada diretamente pelo Presidente Carlo Azeglio Ciampi.

(entrevista enviada pela minha irmã Ana)

terça-feira, abril 21, 2009

"Se você desistir, eles desistem. Parem com o Aquecimento Global"

Comercial muito interessante e chocante que aborda o tema da devastação da natureza.
Foi criado pela Quercus de Portugal.


A frase final do vídeo é algo como:

"Se você desistir, eles desistem. Parem com o Aquecimento Global"

Les Luthiers


Les Luthiers é um grupo da Argentina de comédia-musical, muito popular também em vários outros países de língua espanhola, como Peru, Chile, Equador, Espanha, Colômbia, México, Uruguai e Venezuela.

O grupo foi formado em 1967 por Gerardo Masana, durante um período muito intenso de Música Argentina em universidades estaduais. Sua característica é a home-made de instrumentos musicais (daí o nome Luthiers, francês para instrumento musical)

quinta-feira, abril 16, 2009

Estão se adiantando


Eles estão se adiantando, os meus amigos.
Sei que é útil a morte alheia
para quem constrói seu fim.
Mas eles estão indo, apressados,
deixando filhos, obras, amores inacabados
e revoluções por terminar.

Não era isto o combinado.

Alguns se despedem heróicos,
outros serenos.Alguns se rebelam.
O bom seria partir pleno.

O que faço? Ainda agora
um apressou seu desenlaçe.
Sigo sem pressa. A morte
exige trabalho, trabalho lento
como quem nasce.


Affonso Romano de Sant'Anna.

terça-feira, abril 14, 2009

Susan Boyle

Chorando antes das 9

"Roberto Haruo mandou um email curto com o link deste vídeo de Susan Boyle, candidata do famoso programa de "calouros" Britain's got Talent. No corpo do email, uma frase final dizendo que havia rolado algumas lágrimas do lado de lá.
Cliquei para ver e antes de assistir, vi que o vídeo não estava habilitado para reprodução.
E comecei a assistir. Mal começou e eu já estava chorando.
Acho que todos nós vamos nos identificar com Susan em algum momento.
Por que?
Porque ela realiza a "grande virada" do ser humano, do herói que se prova, em segundos.
Ao entrar no palco, ela é uma derrotada. 47 anos, feia, gorduchinha. A fera da bela. O pato feio. O júri faz caras. A platéia, torce o nariz. Todos a desprezam e estão contra ela.
Ela diz que quer ser cantora profissional e quer ser como Helen Elaine Page*. Ela canta "I dream the dream" from Les Misérables.
E a canção começa.
E ao abrir a boca os anjos começam a sair de sua garganta, aos milhares, e enchem o salão com sua música celestial. E a feiura de Susan derrete no ar diante de nossos olhos. Temos vontade de ajoelhar, de pedir perdão pelo julgamento precipitado, como o júri faz em seguida.
A emoção é forte, porque há uma Susan dentro de nós, querendo provar sua beleza invisível.
Eu sou assim e por isso estou aqui, chorando de camisola, como uma boba.
Acho que todos somos, até as pessoas mais bonitas e incompreendidas.
A luta é essa, a de achar uma oportunidade de soltar e mostrar o que de bom nós temos.

Agora vai lá, pegue o lencinho e assista.
O vídeo com áudio bom não tem permissão para ser "embedded" e a versão no Vimeo não tem a introducão necessária.

Som na caixa e bom espetáculo. Um tapa na cara desse mundo que nos julga pela aparência.
Obrigada, Ricardo"


Texto do blog Querido Leitor da Rosana Hermann

Os filhos têm memória mais curta do que a dos velhos pais

Um emocionante curta grego

sábado, abril 04, 2009

Inclusão Digital na terceira idade


O Datafolha entrevistou mais de 300 pessoas acima dos 60 anos na cidade de São Paulo para conhecer hábitos e opiniões em relação ao uso de computadores e da Internet. A pesquisa mostra que 45% dos entrevistados têm computador em casa, entretanto apenas 19% dizem utilizar o equipamento. Nesta pesquisa, fica claro o importante papel da inclusão digital na vida das pessoas, independente da idade. Quem tem contato com o mundo digital têm mais interesse em participar de novos cursos.

Quando indagados sobre o benefício da internet, 85% dos entrevistados consideram importante a rede, quando essa mesma pergunta foi feita para quem já a utiliza, 98% das pessoas acreditam que é um ganho para suas rotinas. Uma grande prova de que o passar dos anos não significa desinformação é que 77% dos entrevistados costumam acessar a rede para ler notícias e trocar e-mails.

Quando indagados sobre o benefício da internet, 85% dos entrevistados consideram importante a rede, quando essa mesma pergunta foi feita para quem já a utiliza, 98% das pessoas acreditam que é um ganho para suas rotinas. Uma grande prova de que o passar dos anos não significa desinformação é que 77% dos entrevistados costumam acessar a rede para ler notícias e trocar e-mails.

Preocupados em aumentar o acesso dos idosos às novas tecnologias da informação, Governo e empresas privadas desenvolvem projetos nesta área. Um exemplo disso é a ONG Cidade Escola Aprendiz, que criou o programa OldNet para estimular a convivência entre jovens e idosos tendo o computador como instrumento de mediação. Voluntários de escolas públicas e particulares ensinam pessoas da terceira idade a utilizar o computador e a navegar na internet. Outra iniciativa muito valiosa da OldNet é o registro de memória, que realiza entrevistas com os idosos, coletando suas histórias, fatos e momentos vivido
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